Hora da aula de sexo na maturidade

Programa tem como objetivo valorizar a importância da saúde sexual dos adultos mais velhos Fazer sexo queima calorias, aumenta a imunidade, reduz o risco de doença cardiovascular, diminui a pressão arterial, melhora a qualidade do sono e a lista continua...

Então, por que o assunto se torna tabu à medida que envelhecemos? Trata-se de mais uma faceta do preconceito que envolve a velhice, mas uma boa alternativa para mudar o cenário é falar sobre o tema.

Nos EUA, o Conselho Nacional do Envelhecimento (NCOA em inglês) existe desde 1950.

Começou como instituição de caridade e hoje defende os direitos dos idosos, o que inclui o exercício da sexualidade sem medo ou vergonha.

Até o final do ano, estará pronto um curso feito sob medida para gente madura que não quer abrir mão do prazer. Curso sobre sexo para idosos: assunto se torna tabu à medida que se envelhece Andrea Hamilton por Pixabay Susan Stiles, diretora de estratégia e desenvolvimento de produtos da organização, é assertiva: “saúde sexual faz parte da saúde como um todo.

Ignorar o assunto acaba levando os mais velhos a abrir mão de uma vida plena e também a se expor a comportamentos de risco.

Montamos um programa valorizando a experiência dessas pessoas, que foi validado em grupos de discussão que reuniam indivíduos dos 50 aos 100 anos, e onde havia enorme diversidade no que diz respeito a raça, estado civil, orientação sexual e limitações físicas.

Queríamos justamente um currículo amplo o suficiente para que as informações atendessem a todos.

As reuniões serviram para escolher os tópicos em relação aos quais havia maior interesse e necessidade de informação”. O projeto foi lançado no começo do ano, com grupos de discussão para a montagem da grade.

Depois de uma paralisação por causa da Covid-19, ele está sendo retomado: em setembro haverá uma rodada de pilotos, seguida de ajustes para o lançamento ocorrer em novembro.

Nos encontros, foi poderosa a verbalização dos idosos, em declarações como: “a sociedade tira a sexualidade dos mais velhos”.

Ou: “as pessoas ignoram que ainda somos viáveis como indivíduos”.

Ou ainda: “seria ótimo achar um médico que dissesse que, em minha idade, muitas mulheres têm problemas de lubrificação, mas isso é descartado, porque os outros pensam que, a partir de uma determinada idade, você não faz sexo”. Temas que foram eleitos como relevantes: mudanças que ocorrem no corpo e influenciam a intimidade; disfunção erétil e ressecamento vaginal; os riscos a que se expõem os idosos com vida sexual ativa; efeitos colaterais dos medicamentos e como as doenças crônicas interferem no sexo.

Mas o tópico que despertou mais interesse foi o sobre novos relacionamentos, mostrando que boa parte tem planos de continuar em busca da companhia.

Para os organizadores, o principal objetivo é a conscientização sobre a importância de uma vida sexual saudável na velhice, dando ferramentas para os indivíduos poderem falar sobre o assunto sem constrangimentos, não somente com seus parceiros e parceiras, mas também com os médicos.

O curso sobre sexo vai integrar a grade do Aging Mastery Program, que já oferece aulas sobre saúde, finanças, crescimento pessoal e participação na comunidade, por exemplo.

Apesar do material didático que é distribuído, o sucesso está calcado na interação dos participantes e compartilhamento de experiências.

A organização faz parcerias com todo tipo de instituição e seria ótimo se as chamadas universidades da terceira idade no Brasil dessem um passo nessa direção.

Enquanto a conversa continua fora dos consultórios, a faculdade de medicina de Harvard vende com sucesso, desde 2013, o livro “Sexuality in midlife and beyond” (“Sexualidade na meia-idade e além”), ensinando de exercícios Kegel para melhorar o desempenho sexual a como usar óleo de coco para aliviar o ressecamento que ocorre nas mulheres depois da menopausa, passando por dicas para criar um clima mais sensual na relação.

Por aqui, reina o silêncio.

Categoria:Ciência e Saúde